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Após alta de quase 48%, conta de luz vai cair a partir de setembro

Após alta de quase 48%, conta de luz vai cair a partir de setembro

 

 

 

No Brasil, depois de subir quase 48% só este ano, a conta de luz vai cair a partir de setembro. Só que a redução para o consumidor ainda é muito pequena. Não chega nem perto desses 48%. Quase não vai dar para perceber essa redução na conta e, por outro lado, a pressão por novos aumentos de energia não acabou.
Essa redução no preço de energia deve ser de apenas 1%. E a pressão continua mesmo porque os problemas no setor são muitos na geração e distribuição de energia. As geradoras acumularam um déficit bilionário durante a seca. Nesta terça-feira (11), o governo relançou projetos de investimentos de energia.
Foi um esforço concentrado para divulgar boas notícias sobre o setor elétrico. No Palácio do Planalto, o governo anunciou investimentos de R$ 186 bilhões em obras de geração e transmissão de energia. R$ 81 bilhões nos próximos três anos. Mas boa parte das obras não é novidade. Muitas das usinas já tinham sido anunciadas antes, no lançamento da fase dois do Programa de Aceleração do Crescimento. No discurso, a presidente Dilma Rousseff reconheceu que a conta de luz subiu muito.
“Sem sombra de dúvida, que as contas de luz aumentaram. E por isso nós lastimamos. Mas elas aumentaram justamente porque diante da falta de luz, aliás, da falta de energia, para sustentar a existência de luz, nós tivemos de usar as termoelétricas e por isso pagar bem mais do que pagamos se houvéssemos apenas energia hidrelétrica no nosso sistema”, disse a presidente Dilma Rousseff.
Na semana passada, 21 usinas termoelétricas foram desligadas, e agora o governo diz que deve reduzir a bandeira vermelha, que está em vigor desde janeiro e que provoca um aumento na conta de luz. Hoje, a cada 100 kilowatts hora de energia usados, o consumidor paga R$ 5,50 a mais. Esse valor deve cair para mais ou menos R$ 4,50, se a redução for aprovada pela Agência Nacional de Energia Elétrica.
O especialista Ildo Sauer diz que as medidas anunciadas podem até dar alguma esperança ao setor, que está cheio de problemas, mas não garantem que os projetos vão sair do papel. 
“Anunciar projetos e planos não significam nada porque todos os planos recentes que a EPE vem fazendo desde 2005 anunciavam suficiente energia para atender o crescimento econômico do país entre 4 e 5% ao ano. E nada disso foi cumprido até agora. De forma que, a questão não é só ter planos, é garantir as melhores opções de menor custo sejam de fato implementadas para que a tarifa possa baixar”, diz Ildo Sauer, diretor do IEE/USP.
Outro problema que o governo terá que resolver é o rombo bilionário nas contas das geradoras de energia. As empresas alegam que tiveram de honrar contratos e garantir a entrega de energia mesmo quando não conseguiram gerar tudo o que foi acertado por causa da falta de chuvas e do baixo nível de água nos reservatórios.
O governo vinha argumentando que esse risco já era previsto em contrato, mas as empresas dizem que não têm como trabalhar com esse déficit tão alto. Antes, o setor estimava que a dívida podia chegar a R$ 20 bilhões este ano, agora, com a melhora das chuvas no Sul e Sudeste, pode ficar menor, mas ainda é pesada.
“A estimativa atual é de R$ 13 bilhões mais ou menos. Precisa resolver porque isso está acumulando e tem ações na Justiça, como todos sabem, e que estão paralisando o mercado”, afirma Flávio Neiva, presidente da Associação de Geradoras de Energia.
Representantes das empresas geradoras de energia e do governo dizem que estão muito próximos de encontrar uma solução para o problema. Resta saber se dessa vez, assim como em outras negociações, a conta não vai acabar sobrando para o consumidor.
O ministro de Minas e Energia não quis gravar entrevista, mas disse que a fórmula em estudo para ajudar as geradoras não passa pelo consumidor.  
Não dá para descuidar com a economia. A cor da bandeira tarifária vai continuar a mesma, vermelha, que indica condições mais caras de geração de energia. O governo explica que ainda não dá para passar para a bandeira amarela, quando o custo da energia é menor.

Fonte: G1.com

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